quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Nova teoria poderia explicar natureza da parte escura do Cosmo


Cientistas propõem que um fluido capaz de gerar gravidade negativa poderia explicar o sumiço de 95% da massa do Universo

mandritoiu / Fotolia

Cientistas da Universidade de Oxford podem ter resolvido uma das maiores questões da física moderna em um novo artigo que unifica a matéria escura e a energia escura em um único fenômeno: um fluido que possui "massa negativa". Se você empurrar uma massa negativa, ela acelera em sua direção. Esta nova teoria surpreendente também pode comprovar uma previsão que Einstein fez 100 anos atrás.

Nosso modelo atual e amplamente reconhecido do Universo, chamado LambdaCDM, não nos diz nada sobre o que a matéria escura e a energia escura são em termos físicos. Nós só sabemos da existência delas por causa dos efeitos gravitacionais que elas têm na matéria observável.

Este novo modelo, publicado quarta-feira (5) na revista Astronomy and Astrophysics, por Jamie Farnes, do Departamento de Ciências da Engenharia do Centro de Pesquisa de Oxford, oferece uma nova explicação. Farnes diz: "Agora acreditamos que tanto a matéria escura como a energia escura podem ser unificadas em um fluido que possui um tipo de `gravidade negativa`, repelindo todos os outros materiais à sua volta. Embora este assunto seja peculiar para nós, ele sugere que o cosmos é simétrico em qualidades positivas e negativas ".

A existência de matéria negativa havia sido descartada anteriormente, já que se pensava que esse material se tornaria menos denso à medida que o Universo se expande, o que contraria nossas observações que mostram que a energia escura não diminui com o tempo. No entanto, a pesquisa de Farnes aplica um "tensor de criação", que permite que massas negativas sejam continuamente criadas. Isso demonstra que, quando mais e mais massas negativas estão continuamente surgindo, esse fluido de massa negativa não se dilui durante a expansão do Cosmo. De fato, o fluido parece ser idêntico à energia escura.

A teoria de Farnes também fornece as primeiras previsões corretas do comportamento dos halos de matéria escura. A maioria das galáxias está girando tão rapidamente que deveriam se dilacerar, o que sugere que um "halo" invisível de matéria escura deve mantê-las juntas. A nova pesquisa apresenta uma simulação computacional das propriedades da massa negativa, que prevê a formação de halos de matéria escura exatamente como os inferidos por observações usando radiotelescópios modernos.

Albert Einstein forneceu o primeiro indício do Universo "escuro" exatamente há 100 anos, quando descobriu um parâmetro em suas equações conhecido como constante cosmológica, que agora sabemos ser sinônimo de energia escura. Einstein notoriamente chamou a constante cosmológica de seu "maior erro", embora as observações astrofísicas modernas provem que é um fenômeno real. Em notas que datam de 1918, Einstein descreveu sua constante cosmológica, escrevendo que "uma modificação da teoria é necessária já que o `espaço vazio` assume o papel de massas de gravidade negativa que estão distribuídas por todo o espaço interestelar". Portanto, é possível que o próprio Einstein previsse um Universo cheio de massa negativa.

Farnes diz: "As abordagens anteriores para combinar a energia escura e a matéria escura tentaram modificar a teoria da relatividade geral de Einstein, o que se mostrou ser incrivelmente desafiador. Essa nova abordagem utiliza duas idéias antigas que são reconhecidas como compatíveis com a teoria de Einstein. - massas negativas e criação de matéria - e as combina.

"O resultado parece bastante bonito: a energia escura e a matéria escura podem ser unificadas em uma única substância, sendo ambos os efeitos simplesmente explicáveis como matéria de massa positiva surfando em um mar de massas negativas".

A prova que a teoria de Farnes precisa virá de testes realizados com um radiotelescópio de ponta conhecido como Square Kilometer Array (SKA), um esforço internacional para construir o maior telescópio do mundo no qual a Universidade de Oxford está colaborando.

Farnes acrescenta: “Há ainda muitas questões teóricas e simulações computacionais para serem trabalhadas, e o LambdaCDM tem uma vantagem de quase 30 anos, mas estou ansioso para ver se esta nova versão estendida do LambdaCDM pode combinar com precisão outras evidências observacionais de nossa cosmologia. Se real, a teoria sugere que os 95% que não conhecíamos do Cosmo tem uma solução estética: esquecemos de incluir um simples sinal de menos."

Universidade de Oxford
Scientific American Brasil

Será que explosões de supernovas mataram grandes animais oceânicos no início do Pleistoceno?


Chuva de raios cósmicos que durou milhares de anos pode ter sido responsável por evento de extinção em massa

Nasa
Remanescente de supernova nas proximidades

Cerca de 2,6 milhões de anos, atrás uma luz estranhamente brilhante apareceu no céu pré-histórico e lá permaneceu por semanas ou meses. Foi a explosão de uma supernova, a cerca de 150 anos-luz da Terra. Centenas de anos mais tarde, muito depois que a estranha luz no céu havia diminuído, um tsunami de energia cósmica gerado pela mesma explosão estelar pode ter atingido o nosso planeta e sacudido a atmosfera, desencadeando mudanças climáticas e extinções em massa de grandes animais oceânicos, incluindo uma espécie de tubarão que era do tamanho de um ônibus escolar.

Os efeitos da tal explosão de supernova na vida oceânica - e, possivelmente, de mais de uma explosão - são detalhados em um artigo publicado na revista Astrobiology.

“Venho fazendo pesquisas assim há cerca de 15 anos, e sempre, até então, elas têm sido baseadas no que sabemos sobre o Universo de forma generalista - que essas supernovas devem ter afetado a Terra em algum momento”, disse o principal autor Adrian Melott, professor emérito de física e astronomia da Universidade do Kansas. "Desta vez, é diferente. Temos evidências de eventos próximos em um período específico. Sabemos o quão longe elas estavam, então podemos calcular como isso afetou a Terra e comparar com o que sabemos sobre o que aconteceu naquela época. É muito mais específico."

Melott disse ainda que documentos recentes que revelam depósitos antigos de isótopos de ferro-60 no leito do mar forneceram a evidência do tempo e da distância das supernovas

“Já em meados da década de 1990, as pessoas diziam: `Ei, pesquise o ferro-60. É um sinal, porque não há outro jeito dessa substância chegar à Terra se não por uma supernova`. Como o ferro-60 é radioativo, se ele tivesse sido formado junto com a Terra, já teria acabado há muito tempo, então sabemos que ele caiu sobre nós. Há algum debate sobre se havia apenas uma supernova nas proximidades ou uma cadeia inteira. Eu prefiro uma combinação das duas ideias - uma grande cadeia com uma que era extraordinariamente poderosa e próxima. Se você olhar para os resíduos de ferro-60, há um pico enorme da substância 2,6 milhões de anos atrás, mas esse excesso do material é percebido de novo há 10 milhões de anos".

Os co-autores de Melott foram Franciole Marinho da Universidade Federal de São Carlos no Brasil e Laura Paulucci da Universidade Federal do ABC, também no Brasil.

De acordo com a equipe, outras evidências de uma série de explosões de supernovas foram encontradas na própria arquitetura local do Cosmo.

“Existe uma bolha local no meio interestelar”, disse Melott. “Estamos bem na fronteira dela. É uma região gigante, de cerca de 300 anos-luz. É basicamente um gás muito quente e de densidade muito baixa - quase todas as nuvens de gás foram varridas para fora daqui. A melhor maneira de fabricar uma bolha assim é com o sopro cada vez maior de um monte de supernovas, e isso parece se encaixar com a teoria de que houve uma cadeia delas. Quando realizamos cálculos, eles são baseados na idéia de que quando uma supernova apaga, sua energia alcança Terra e esse é o fim da história. Mas, dentro da Bolha Local, os raios cósmicos meio que quicaram nos lados, e a chuva de raios cósmicos duraria de 10.000 a 100.000 anos. Assim, é possível imaginar uma série dessas coisas gerando mais e mais os raios cósmicos dentro da Bolha Local, e disparando raios cósmicos em direção à Terra por milhões de anos."

Quer tenha havido ou não uma supernova ou uma série delas, a energia da supernova que espalhava camadas de ferro-60 em todo o mundo também fazia com que partículas penetrantes chamadas múons caíssem na Terra, causando câncer e mutações - especialmente em animais maiores.

"A melhor descrição de um múon é a de um elétron muito pesado - um múon é cem vezes mais massivo que um elétron", disse Melott. "Eles são muito penetrantes. Sempre há muitos deles nos atravessando. Quase todos passam inofensivamente, mas cerca de um quinto da nossa dose de radiação vem dos múons. Quando essa onda de raios cósmicos chega, a quantidade de múons pode ser multiplicada por algumas centenas. Apenas uma pequena fração deles irá interagir de alguma forma, mas quando o número é tão grande e sua energia tão alta, há um aumento de mutações e de câncer - esses seriam os principais efeitos biológicos. A taxa de câncer aumentaria em cerca de 50% para um animal do tamanho de um ser humano - e quanto maior for o organismo, pior é. Para um elefante ou uma baleia, a dose de radiação aumenta muito.”

Uma supernova de 2,6 milhões de anos pode estar relacionada a uma extinção da megafauna marinha no limite do período Plioceno-Pleistoceno, onde se estima que 36% dos animais desse tipo foram extintos. A extinção se concentrava em águas costeiras, onde organismos maiores captavam uma dose maior de radiação dos múons.

Segundo os autores do novo artigo, os danos causados pelos múons estenderiam-se por centenas de metros nas águas oceânicas, tornando-se menos severos em maiores profundidades: "Múons de alta energia podem chegar mais fundo nos oceanos, sendo o agente mais relevante do dano biológico à medida que a profundidade aumenta,” eles escrevem.

De fato, um animal marinho famoso por ser grande e feroz que habitava as águas rasas pode ter sido condenado pela radiação da supernova.

“Uma das extinções que aconteceu há 2,6 milhões de anos foi o Megalodonte", disse Melott. "Imagine o grande tubarão branco do filme “Tubarão”, que era enorme - e esse é o Megalodonte, mas ele era mais ou menos do tamanho de um ônibus escolar. Eles simplesmente desapareceram naquela época. Então, podemos especular que pode ter algo a ver com os múons. Basicamente, quanto maior a criatura, maior o aumento da radiação.”

O pesquisador da KU disse que a evidência de uma supernova, ou uma série delas, é “outra peça do quebra-cabeça” para esclarecer as possíveis razões para a extinção do Plioceno-Pleistoceno.

“Não há realmente nenhuma boa explicação para a extinção da megafauna marinha”, disse Melott.

“Essa poderia ser uma explicação. É uma mudança de paradigma - sabemos que algo aconteceu e quando aconteceu. Então, pela primeira vez podemos realmente investigar e procurar pelas coisas de forma definitiva. Agora podemos ser entender definitivamente quais os efeitos de radiação de uma forma que não era possível antes.”

Universidade de Kansas
Scientific American Brasil

Massa total de micróbios que habitam profundezas da Terra é centenas de vezes maior do que a de todos os seres humanos juntos


Massa total de micróbios que habitam profundezas da Terra é centenas de vezes maior do que a de todos os seres humanos juntos
Projeto mapeou seres vivos que vivem em condições extremas

Gaetan Borgonie, Extreme Life Isyensya, Belgium


Um nematóide (eucariota) em um biofilme de micro-organismos. Este nematoide não identificado (Poikilolaimus sp.) da mina de ouro de Kopanang, na África do Sul, vive 1,4 km abaixo da superfície.


A vida na Terra Profunda corresponde a 15 a 23 bilhões de toneladas de carbono - centenas de vezes mais do que a dos corpos de todos os seres humanos somados.

Certas bactérias "zumbis", das quais mal se pode dizer que estão vivas, e outras formas de vida constituem uma imensa quantidade de carbono que se esconde nas profundezas da Terra. No total, elas representam de 245 a 385 vezes mais do que a massa de carbono combinada de todos os seres humanos na superfície. É o que descobriu um projeto científico internacional que por dez anos vasculhou os segredos mais íntimos da Terra.

Estas e outras descobertas feitas pelos participantes do projeto Observatório de Carbono Profundo foram relatadas segunda-feira, véspera da reunião anual da União Geofísica Americana. Entre os achados apresentados estavam a quantidade e a diversidade de formas de vida que existem na subsuperfície profunda, enfrentando extremos de pressão, temperatura e baixa disponibilidade de nutrientes.

Ao perfurar 2,5 km sob o leito marinho, e coletar amostras micróbios de minas continentais e poços de mais de 5 km de profundidade, os cientistas obtiveram resultados que lhes permitiram construir modelos do ecossistema que existe nas profundezas do planeta.

Baseando-se no levantamento feito em centenas de locais sob continentes e mares, eles se aproximaram do tamanho da biosfera profunda - 2 a 2,3 bilhões de quilômetros cúbicos (quase o dobro do volume de todos os oceanos) - bem como da massa de carbono da vida profunda: 15 a 23 bilhões de toneladas (uma média de pelo menos 7,5 toneladas de carbono por quilômetro cúbico abaixo da superfície).

O trabalho também ajuda a determinar os tipos de ambientes extraterrestres que poderiam sustentar a existência de vida.

Entre muitas descobertas importantes destacam-se:

-A biosfera profunda constitui um mundo que pode ser visto como uma espécie de Galápagos subterrânea, e inclui membros de todos os três domínios da vida: bactérias, archaea (micróbios sem núcleo ligado à membrana) e eucariontes (micróbios ou organismos multicelulares com células que contêm um núcleo, bem como organelas ligadas à membrana).

-Dois tipos de micróbios - bactérias e archaea - dominam a Terra Profunda. Existem milhões de tipos distintos, a maioria ainda a ser descoberta ou caracterizada. Essa assim chamada "matéria escura" microbiana amplia dramaticamente nossa perspectiva sobre a árvore da vida. Cientistas da vida subterrânea dizem que cerca de 70% das bactérias e archaea da Terra vivem no subsolo.

-Micróbios profundos são frequentemente muito diferentes de seus primos da superfície, com ciclos de vida em escalas de tempo quase geológicas, se alimentando, em alguns casos, de nada mais do que a energia das rochas

-A diversidade genética da vida abaixo da superfície é comparável ou supera a de cima da superfície.

-Embora as comunidades microbianas subsuperficiais difiram muito entre os ambientes, certos gêneros e grupos taxonômicos superiores são onipresentes - eles aparecem por todo o planeta.



-A riqueza da comunidade microbiana está relacionada à idade dos sedimentos marinhos, onde as células são encontradas - sugerindo que nos sedimentos mais antigos, a energia dos alimentos diminuiu com o tempo, reduzindo a comunidade microbiana.

-Os limites absolutos da vida na Terra em termos de temperatura, pressão e disponibilidade de energia ainda não foram encontrados. Os registros são continuamente quebrados. Um candidato a organismo mais quente da Terra no mundo natural é o Geogemma barossii, um organismo unicelular que se desenvolve em fontes hidrotermais no fundo do mar. Suas células, minúsculas esferas microscópicas, crescem e se replicam a 121 graus Celsius (21 graus mais quentes que o ponto de ebulição da água). A vida microbiana pode sobreviver até 122° C, o recorde alcançado em uma cultura de laboratório (em comparação, o recorde do local mais quente habitado na superfície da Terra é um deserto iraniano desabitado, a temperatura é de cerca de 71°C - a temperatura de um bife bem-passado)

-A profundidade recorde em que a vida foi encontrada no subsolo continental é de aproximadamente 5 km; o recorde em águas marinhas é de 10,5 km da superfície do oceano, uma profundidade de extrema pressão; a uma profundidade de 4000 metros, por exemplo, a pressão é aproximadamente 400 vezes maior do que a do nível do mar.

A precisão cada vez maior e o custo decrescente do sequenciamento de DNA, juntamente com avanços nas tecnologias de perfuração em águas profundas (pioneirismo do navio científico japonês Chikyu, projetado para perfurar em muito o solo marinho em algumas das regiões mais ativas sismicamente do planeta) tornou possível aos pesquisadores dar o primeiro olhar detalhado sobre a composição da biosfera profunda.

Existem esforços comparáveis para perfurar cada vez mais profundamente os ambientes continentais, usando dispositivos de amostragem que mantêm a pressão para que a vida microbiana seja preservada (acredita-se que eles não representem nenhuma ameaça ou benefício à saúde humana).

Para estimar a massa total da vida subcontinental profunda da Terra, por exemplo, os cientistas compilaram dados sobre a concentração de células e a diversidade microbiana de diversos locais ao redor do globo.

Liderados por Cara Magnabosco, do Centro de Biologia Computacional do Instituto Flatiron, em Nova York, uma equipe internacional de pesquisadores e cientistas que pesquisam a subsuperfície criaram um conjunto de considerações, incluindo o fluxo de calor global, temperatura, profundidade e litologia - características físicas das rochas em cada local - para estimar que o subsolo continental hospeda 2 a 6 × 10 ^ 29 células.

Combinado com as estimativas da vida subsuperficial sob os oceanos, a biomassa global total da Terra Profunda é de aproximadamente 15 a 23 petagramas (15 a 23 bilhões de toneladas) de carbono.

De acordo com Mitch Sogin, do Laboratório Biológico Marinho Woods Hole, EUA e copresidente da comunidade Deep Life da DCO que conta com mais de 300 pesquisadores em 34 países: “Explorar o subsolo profundo é semelhante à exploração da floresta amazônica. Há vida em toda parte e em toda parte há uma imensa abundância de organismos inesperados e incomuns.”

“Estudos moleculares aumentam a probabilidade de que a matéria escura microbiana seja muito mais diversa do que conhecemos atualmente, e as linhagens mais ramificadas desafiam o conceito de três domínios introduzido por Carl Woese em 1977. Talvez estejamos nos aproximando de um nexo onde os primeiros possíveis padrões de ramificação podem ser acessíveis por meio da investigação da vida útil profunda.

"Há dez anos, sabíamos muito menos sobre as fisiologias das bactérias e micróbios que dominam a biosfera abaixo da superfície", diz Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, em Knoxville, EUA. "Hoje, sabemos que, em muitos locais, elas investem a maior parte de sua energia simplesmente para manter sua existência e pouco no crescimento, o que é uma maneira fascinante de viver."

"Hoje também sabemos que a vida na subsuperfície é comum. Dez anos atrás, tínhamos amostrado apenas alguns locais - os tipos de lugares que esperávamos encontrar a vida. Agora, graças à amostragem ultra profunda, sabemos que podemos encontrá-la em praticamente todos os lugares, embora a amostragem tenha alcançado, obviamente, apenas uma parte mínima da biosfera profunda."

“Nossos estudos de micróbios da biosfera profunda produziram muito conhecimento novo, mas também uma percepção e apreciação muito maior do quanto ainda precisamos aprender sobre a vida no subsolo”, diz Rick Colwell, da Universidade Estadual de Oregon, nos EUA. "Por exemplo, os cientistas ainda não conhecem todas as formas em que a vida subterrânea afeta a vida da superfície e vice-versa. E, por enquanto, só podemos nos maravilhar com a natureza dos metabolismos que permitem que a vida sobreviva às extremamente empobrecidas e proibitivas condições para a vida na Terra profunda”.

"Uma década atrás, não tínhamos ideia de que as rochas sob nossos pés poderiam ser tão vastamente habitadas. Investigações experimentais nos disseram que micróbios poderiam sobreviver a grandes profundidades; na época, não tínhamos provas, e isso se mostrou real apenas dez anos depois. Isso é simplesmente fascinante e certamente encorajará o entusiasmo em procurar a margem biótico-abiótica na Terra e em outros lugares”, disse Isabelle Daniel, da Universidade de Lyon 1, na França.

Entre os muitos enigmas remanescentes da vida profunda na Terra estão:

Movimento: Como a vida profunda se espalha - lateralmente através de rachaduras nas rochas? Para cima? Para baixo? Como pode a vida profunda ser tão semelhante na África do Sul e em Seattle, Washington? Ela teve origem semelhante e os seres foram separados por placas tectônicas, por exemplo? Ou as próprias comunidades se modificam? Que papéis os grandes eventos geológicos (como placas tectônicas, terremotos, criação de grandes províncias ígneas, bombardeios meteoríticos) desempenham em movimentos profundos da vida?

Origens: A vida começou nas profundezas da Terra (seja dentro da crosta, perto de fontes hidrotermais ou em zonas de subducção) e depois migrou em direção ao Sol? Ou a vida começou em um pequeno lago de superfície quente e desceu? Como os zumbis microbianos subsuperficiais se reproduzem ou vivem sem se dividir por milhões a dezenas de milhões de anos?

Energia: O metano, o hidrogênio ou a radiação natural (do urânio e outros elementos) são a fonte de energia mais importante para a vida profunda? Quais fontes de energia profunda são mais importantes nas diferentes configurações? Como a ausência de nutrientes, temperaturas e pressões extremas impactam a distribuição microbiana e a diversidade no subsolo?

“Mesmo no escuro e em condições energicamente desafiadoras, os ecossistemas intraterrestres evoluíram e persistiram durante milhões de anos. Expandir nosso conhecimento sobre a vida profunda inspirará novos conhecimentos sobre a habitabilidade planetária, levando-nos a entender por que a vida surgiu em nosso planeta e se a vida persistiria no subsolo marciano e em outros corpos celestes”, diz Fumio Inagaki, da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra e Marinha.

Deep Carbon Observatory
Scientific American Brasil

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Os mistérios dos organismos que vivem nas profundezas da Terra


Cientistas estudam, há 10 anos, organismos que vivem abaixo da superfície terrestre. São milhões de seres vivos que poderiam, inclusive, habitar o subterrâneo de outros planetas. Segundo autores, o trabalho ajuda a compreender como surgiu a vida na Terra


Bactéria encontrada a 2,8km abaixo de mina na África do Sul: biosfera profunda tem o dobro do volume dos oceanos(foto: Greg Wanger e Gordon Southam/Divulgação)

Nas profundezas da Terra, um outro mundo — maior do que o nosso — é habitado por formas de vida muito diferentes das que colonizam os ecossistemas com os quais os humanos estão acostumados. Nesse universo subterrâneo, prolifera a chamada “matéria escura” microbiana; um vasto conjunto de organismos minúsculos que, embora componham 70% das bactérias e archaea do planeta, pouco são conhecidos. Mas, há 10 anos, um grupo internacional de cientistas começou a procurá-los nos subterrâneos do globo para começar a desvendar os segredos desse curioso domínio.

No encontro anual da União Americana de Geofísica, o consórcio apresentou um balanço de descobertas e afirmou que os resultados, até agora, sugerem que micróbios podem habitar o subterrâneo de outros planetas. Os estudos poderão ajudar a compreender como a vida surgiu na Terra, além de fornecer informações mais robustas sobre ciclos de captura e absorção de carbono, por exemplo.



Os milhões de organismos detectados — a maioria dos quais ainda esperando ser caracterizada — vivem em condições inóspitas à vida da superfície do planeta e, ao menos em tese, poderiam se adaptar ao clima e à composição química de outros mundos. Os cientistas do Observatório de Carbono Profundo (Deep Carbon Observatory, em inglês), apelidaram esse ecossistema de Galápagos das profundezas, em referência ao arquipélago riquíssimo e único em biodiversidade.

Setenta por cento da biota subterrânea é composta por bactérias “zumbis” — que parecem mais mortas que vivas, na descrição do grupo — e pelos seres archaea, semelhantes a bactérias, mas geneticamente diversos. A massa de carbono desse mundo é até 385 superior a de todos quase 7 bilhões de humanos da superfície, revelaram os cientistas do DCO, sigla em inglês do observatório. Para chegar a essas descobertas, os mais de 300 participantes, ao longo de uma década de pesquisas, perfuraram 2,5km abaixo do nível do mar, coletaram amostras de micróbios em minas continentais e furaram poços com mais de 5km nesses locais.

Com base no que estudaram em centenas de subterrâneos continentais e oceânicos, os pesquisadores estimaram o tamanho da biosfera profunda: de 2 bilhões a 2,3 bilhões de quilômetros cúbicos, aproximadamente o dobro do volume de todos os oceanos. Também estimaram a massa de carbono de seus habitantes: entre 15 e 23 bilhões de toneladas — uma média de 7,5 toneladas de carbono por quilômetro cúbico dos subterrâneos. “Explorar as profundezas da Terra é como explorar a floresta Amazônica”, compara Mitch Sogin, vice-presidente do DCO e pesquisador do Laboratório de Biologia Marinha Woods Hole, nos EUA. “Há vida por todo lugar, e em todo lugar há uma abundância de organismos inesperados e incomuns.”

Diversidade genética


De acordo com os cientistas do projeto, os micróbios das profundezas são bem diferentes dos primos da superfície. Alguns deles sequer se alimentam; apenas retiram energia das rochas. “Dez anos atrás, sabíamos muito menos sobre a fisiologia das bactérias e dos micróbios que dominam a biosfera abaixo da superfície”, diz Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, em Knoxville “Hoje, sabemos que, em muitos lugares, eles investem a maior parte de sua energia simplesmente para manter sua existência e pouco para o crescimento, o que é uma maneira fascinante de viver”, considera.

Embora aparentemente simples, porém, esses seres têm diversidade genética comparável ou maior ainda que a de micro-organismos da superfície. “Os estudos moleculares aumentam a probabilidade de que a matéria escura microbiana seja ainda muito mais diversa do que sabemos atualmente”, diz.


Resistência ao calor
Os limites absolutos da vida nas profundezas do planeta em termos de temperatura, pressão e disponibilidade de energia ainda são desconhecidos. Atualmente, acredita-se que o Geogemma barossii, um organismo unicelular que se desenvolve em fontes hidrotermais no fundo do mar, seja o mais resistente ao calor, suportando 121ºC (21 graus a mais que o ponto de ebulição da água). Em laboratório, um micróbio pode sobreviver até 122ºC, o recorde alcançado até hoje. Já maior profundidade em que a vida foi encontrada no subterrâneo continental é de aproximadamente 5 km; o recorde em águas marinhas é de 10,5km da superfície do oceano, condição de extrema pressão: a uma profundidade de 4 mil metros, por exemplo, a pressão é aproximadamente 400 vezes maior do que no nível do mar.


Muitos enigmas permanecem a respeito do universo das profundezas. Por exemplo: como a vida se espalha? Lateralmente, por meio de rachaduras em rochas? A vida subterrânea é semelhante independentemente da região do planeta? Os micro-organismos têm origens similares e, depois, foram separados por placas tectônicas? A vida na Terra começou nas profundezas e depois se moveu em direção ao Sol? Como os micróbios “zumbis” se reproduzem e mesmo vivem sem se dividir? Qual a principal fonte de energia desses seres? “

“Nossos estudos da biosfera profunda produziram muito conhecimento novo, mas também geraram uma percepção muito maior do quanto ainda precisamos aprender sobre a vida no subsolo”, diz Rick Colwell, da Universidade Estadual de Oregon. “Por exemplo, os cientistas ainda não sabem todas as maneiras pelas quais a vida subterrânea profunda afeta a vida da superfície e vice-versa. E, por enquanto, só podemos nos maravilhar com a natureza dos metabolismos que permitem que a vida sobreviva sob as condições extremamente empobrecidas e proibitivas das profundezas”.

Sífilis volta a ser epidemia no Brasil e preocupa especialistas


Preocupa, especialmente, o crescimento da sífilis entre recém-nascidos. O total de casos da forma congênita da doença passou 

 Ingrid Soares 


Seminário discutiu formas de combate à sífilis nesta quinta-feira(foto: Bárbara Nascimento/Esp CB/DA Press)

A sífilis voltou a ser uma epidemia no Brasil, e o alto número de infectados preocupa especialistas da saúde. O relaxamento da população no uso de preservativos e a falta de conclusão dos tratamentos por parte dos pacientes dificultam o combate à doença, que se tornou uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais recorrentes entre jovens adultos, gestantes e idosos no país. 


Dados do Boletim Epidemiológico da Sífilis 2018 mostram que a taxa de detecção da sífilis adquirida aumentou de 44,1 para cada grupo de 100 mil habitantes, em 2016, para 58,1/100 mil em 2017. No mesmo período, a sífilis em gestantes cresceu de 10,8 casos por mil nascidos vivos para 17,2. Já a sífilis congênita, passou de 21.183 casos em 2016 para 24.666 em 2017. O número de óbitos por sífilis congênita foi de 206 casos em 2017, enquanto em 2016, haviam sido 195.
Para debater formas de frear o crescimento da doença, o Correioreuniu especialistas nesta quinta-feira (13/12), durante o seminário Correio Talks: Infecções sexualmente transmissíveis e o combate à sífilis no Brasil.

Graduada em medicina pela Universidade de Brasília (UnB) e com mestrado em infectologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Valéria Paes ressaltou no evento a importância de se alertar a população para a questão das ISTs. "Muitas pessoas ainda acham que essas doenças não existem mais. Ou não sabem bem como se prevenir. É sempre bom alertar que é possível ter uma sexualidade boa e saudável", defendeu a infectologista.

Falta de informações sobre a penicilina 
Segundo Adele Benzaken, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das ISTs, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde, ainda existe uma resistência com relação à penicilina, tanto por parte do paciente quanto de alguns profissionais de saúde, muitas vezes mal orientados. 

"A penicilina é o remédio mais indicado para o tratamento", explica Adele. "Um dos principais trabalhos de prevenção é a boa orientação médica ou a procura do paciente ao consultório ainda nos primeiros sintomas da doença. Se a sífilis for diagnosticada no início, a cura é mais rápida", afirmou. 


O preconceito e o medo do julgamento social, no entanto, ainda afeta pacientes, que, muitas vezes resistem em informar o médico que fizeram sexo sem preservativo. Esse cenário atrapalha o diagnóstico precoce da doença, avalia Eliana Bicudo, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia. 

"Não é sempre que os sintomas aparecem, por isso é preciso atenção. A transparências nas consultas é essencial para manter a saúde do paciente. E o debate não é só em torno da sífilias, mas de todas as doenaças sexualmente transmissíveis", frisou.

Risco para os bebês
A especialista destacou ainda que a sífilis é um dos microrganismos sexualmente transmissíveis mais preocupantes por conta das complicações que pode causar. Quando a doença é congênita, ou seja, transmitida de mãe para filho, há um risco de comprometimento do sistema neurológico da criança. Se não for tratada, pode colocar em risco, inclusive, a vida do bebê. 

"A mãe e o pai devem fazer o tratamento. O que se observa é que os homens, muitas vezes, não o concluem, e não ficam 100% curados. Eles têm maior resistência", acrescentou.

Cientistas descobrem que proteína ligada ao Alzheimer pode ser transmitida


Segundo os autores, o resultado da pesquisa pode ajudar a entender mecanismos ainda obscuros da doença neurodegenerativa

Vilhena Soares
(foto: Valdo Virgo/CB/D.A Press)


A origem do Alzheimer intriga especialistas. Já se sabe que o acúmulo de proteínas beta-amiloide no cérebro está relacionado ao desenvolvimento da doença neurodegenerativa. Agora, pesquisadores ingleses identificaram indícios de que essa condição pode ser repassada. Eles transplantaram em ratos tecidos cerebrais com placas de beta-amiloide retirados de cadáveres humanos e observaram que a proteína se propagou no cérebro dos animais. Os investigadores deixam claro que o trabalho não mostra que o Alzheimer é transmissível. Na verdade, ajuda a entender possíveis novos mecanismos ligados à doença. Os resultados foram publicados na última edição da revista britânica Nature.

Em 2015, a mesma equipe encontrou evidências da patologia amiloide — o acúmulo da proteína — em pessoas que desenvolveram a doença de Creutzfeldt-Jakob (CJD) após tratamentos com o hormônio HGH, extraído de glândulas pituitárias removidas de cadáveres. A técnica era usada na década de 1970 para tratar pessoas com problemas de crescimento.

A hipótese principal da equipe era de que a beta-amiloide foi acidentalmente transmitida aos pacientes por meio desse tratamento médico antigo, desencadeando a CJD. “Nosso estudo anterior descobriu que alguns indivíduos que desenvolveram CJD muitos anos após o tratamento também tinham depósitos no cérebro dessa proteína característica da doença de Alzheimer”, explica, em comunicado, John Collinge, um dos autores do trabalho e pesquisador do Institute of Prion Diseases.

Para o estudo atual, a equipe rastreou alguns lotes de HGH com os quais os pacientes foram tratados e os analisou, confirmando que as amostras ainda tinham níveis significativos de proteínas beta-amiloide. “Nossas descobertas de agora confirmam a suspeita de que esse hormônio realmente contém sementes da proteína beta-amiloide encontrada na doença de Alzheimer e que isso se mantém por muito tempo”, ressalta o autor. O uso de HGH cadavérico foi substituído por hormônio sintético que não carrega o risco de transmitir a CJD.

Em uma segunda etapa, os pesquisadores testaram se esse material era capaz de semear a patologia. Para isso, injetaram amostras dos frascos de hormônio em camundongos geneticamente modificados para serem propensos à patologia beta- amiloide. As cobaias apresentaram patologia no cérebro. Já os grupos de ratos que receberam hormônio de crescimento sintético ou tecido cerebral normal não mostraram o mesmo padrão.

Sem contágio
Segundo os autores, os resultados demonstram que os lotes originais de HGH contêm proteínas beta-amiloide que podem semear patologia amiloide em camundongos, mesmo após décadas de armazenamento, e que certos procedimentos médicos precisam ser mais bem avaliados. “Nós, agora, fornecemos evidências experimentais para apoiar nossa hipótese de que a patologia beta-amiloide pode ser transmitida para pessoas por meio de materiais contaminados. Mas ainda não podemos confirmar se procedimentos médicos ou cirúrgicos já causaram a doença de Alzheimer em si, ou quão comum seria adquirir patologia amiloide dessa maneira”, reforça Collinge.

Os pesquisadores fazem questão de ressaltar que os resultados não mostram um contágio de Alzheimer de pessoa para pessoa. “É muito importante enfatizar que não há nenhuma sugestão em nosso trabalho de que se pode pegar a doença de Alzheimer, ou mesmo a CJD, pelo contato com uma pessoa doente. Nossas descobertas destacam a necessidade de fazer mais pesquisas nessa área”, frisa Collinge.

Otávio Castello, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer na regional do Distrito Federal, acredita que o estudo britânico mostra dados que condizem com suspeitas na área neurológica. “A novidade é que eles conseguiram confirmar essa propagação por meio de animais vivos”, destaca. “Mas isso não quer dizer que a doença seja transmissível, até porque eles não provocaram o Alzheimer nos animais, apenas um dos fatores envolvidos. É importante frisar isso para não criar um alarde.”

O especialista enfatiza que novos dados relacionados ao Alzheimer, como os divulgados pelos cientistas ingleses, são de extrema importância para a área médica. “É uma doença que ainda não tem suas origens bem determinadas, esse é mais um passo para uma maior compreensão dessa enfermidade”, explica.


Palavra de especialista

Em condições excepcionais
“Esse novo trabalho contribui para a discussão em curso das semelhanças entre os mecanismos de distúrbios neurodegenerativos, em particular o Alzheimer e o Parkinson. Ambas as doenças são caracterizadas por proteínas que se espalham pelo cérebro e causam demência. Como visto, a transmissibilidade do amiloide é claramente muito baixa e, portanto, ocorrerá apenas sob condições excepcionais em seres humanos. O tratamento de pacientes com extratos cerebrais humanos é, obviamente, uma dessas condições excepcionais e foi encerrado há mais de 30 anos para evitar esse problema. A segunda via de transmissão possível é via transfusão de sangue. Essa tem sido uma preocupação no campo há algum tempo, e vários estudos usando ratos que foram similarmente geneticamente ‘preparados’ para desenvolver sintomas semelhantes aos do Alzheimer mostraram que essa rota de transmissão é teoricamente possível, mas esses resultados também forneceram evidências reais de que qualquer risco desse tipo é extremamente pequeno. No entanto, vale a pena monitorar esses riscos”.
Bart De Strooper, diretor do Instituto de Pesquisa em Demência no Reino Unido

"É muito importante enfatizar que não há nenhuma sugestão em nosso trabalho de que se pode pegar a doença de Alzheimer (…) pelo contato com uma pessoa doente”
John Collinge, pesquisador do Institute of Prion Diseases

"Isso não quer dizer que a doença seja transmissível, até porque eles não provocaram o Alzheimer nos animais, apenas um dos fatores envolvidos”
Otávio Castello, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer/Distrito Federal

Uma só noite maldormida causa desequilíbrio e pode provocar quedas


Uma noite maldormida é suficiente para comprometer o controle da postura e deixar a pessoa mais vulnerável a quedas. Constatação feita por cientistas britânicos serve de alerta aos idosos, que costumam enfrentar maior dificuldade para descansar

Vilhena Soares

(foto: Valdo Virgo/CB/D.A Press)

Apenas uma noite de sono ruim pode atrapalhar a sua postura e o seu equilíbrio, segundo cientistas ingleses. Com a ajuda de monitores tecnológicos, eles avaliaram um grupo de voluntários e observaram ambas as complicações naqueles que apresentavam dificuldade para dormir. Os pesquisadores acreditam que os resultados servem como alerta principalmente para as pessoas mais velhas, um dos grupos que mais sofrem com noites maldormidas. Ao realmente descansarem, os idosos podem reduzir o risco de quedas, que também são recorrentes nessa etapa da vida. As descobertas foram publicadas na revista especializada Scientific Reports.

O fato de os distúrbios de sono a longo prazo, como a privação, afetarem o equilíbrio é bem conhecido na área médica. Mas os pesquisadores ingleses resolveram se concentrar em mudanças mais esporádicas, inspirados na experiência pessoal do principal autor do estudo. “De onde essa ideia veio? Pela observação direta de que, quando meu sono é perturbado por qualquer motivo, minha capacidade de controlar meu equilíbrio no dia seguinte é reduzida”, conta ao Correio Leandro Pecchia, pesquisador da Escola de Engenharia da Universidade de Warwick.

Pecchia e sua equipe analisaram um grupo de 20 jovens adultos saudáveis (12 mulheres e oito homens), que foram submetidos à avaliação de equilíbrio e de sono durante dois dias consecutivos. Sensores vestíveis de última geração foram usados para o monitoramento do sono dos voluntários em casa. Depois, eles foram avaliados, em laboratório, por meio de testes de equilíbrio.

Para a surpresa dos cientistas, apenas uma única noite ruim diminuiu o controle de postura dos participantes. O equilíbrio foi avaliado em testes em que voluntários tinham que desempenhar atividades como ficar em pé só com o suporte de um dos membros inferiores. Os indivíduos com deterioração de curto prazo na quantidade e na qualidade do sono exibiram alterações significativas no equilíbrio.

Por outro lado, aqueles sem mudanças significativas não apresentaram grandes alterações. “Esses resultados confirmaram nossa hipótese de que mudanças na qualidade do sono e no padrão ao longo de dias consecutivos pode afetar o equilíbrio”, frisa Pechhia. “Os resultados obtidos em voluntários que são sadios são surpreendentes, dada a capacidade que os jovens adultos têm de compensar tais interrupções agudas e de curta duração. Esperaríamos efeitos mais dramáticos se esses experimentos tivessem sido feitos em pessoas mais velhas, cuja vulnerabilidade à interrupção do sono, a hipotensão postural e o risco de quedas são muito maiores”, complementa Francesco Cappuccio, chefe do programa Sleep, Health & Society da Universidade de Warwick, e um dos envolvidos na pesquisa.

Risco cotidiano

Rafael Vinhal, médico do sono e psiquiatra, acredita que a pesquisa mostra dados interessantes, que acompanham um tema que tem sido bastante explorado. “Muitos estudos têm mostrado os riscos e os prejuízos das noites maldormidas, problemas como o jet lag, por exemplo, e das privações mais longas de sono. Mas essa pesquisa se diferencia por mostrar como apenas um tempo curto de dano ao sono, algo do cotidiano, também pode ter um prejuízo considerável à saúde”, explica.

O especialista alerta que o sono é negligenciado pela maioria das pessoas, independentemente da faixa etária. “Elas se queixam de problemas como memória e desequilíbrio e não enxergam que isso pode estar ligado ao sono. Passamos um terço do dia dormindo, o sono é essencial para a atenção. Isso é importante, principalmente para pessoas que trabalham com veículos e maquinários, por exemplo”, detalha.

Segundo o cientista, o trabalho atual é o primeiro a focar nas “consequências do amanhã geradas pelo sono pobre de hoje”. Se essa relação for confirmada em um estudo com a população idosa, o trabalho poderá realmente levar a uma intervenção inovadora com o objetivo de prever quedas iminentes, acredita Pecchia. A próxima etapa do estudo poderá considerar voluntários com outro perfil. “Vamos medir a extensão desse fenômeno em idosos ou pacientes que sofrem de várias doenças. Claramente, esse é o próximo passo. Tendo observado uma variação tão grande em adultos jovens, que são mais capazes de se adaptar, podemos esperar um efeito ainda pior em indivíduos mais velhos ou em sujeitos mais frágeis. Por exemplo, os enfermos”, diz.

Desajuste total

“Como osteopata, trabalho muito com essa questão de alterações sensoriais e da postura, e muitos estudos têm relacionado esses fatores ao sono. Pessoas com psicossomáticos, como quem passa por ansiedade frequente, não conseguem ter um sono reparador, e, automaticamente, esses problemas são desencadeados. Elas não conseguem recuperar a musculatura, pois uma das funções do sono é justamente essa. Há também prejuízo da noção sensorial — como você consegue identificar o espaço, o próprio equilíbrio. Resumindo, problemas para dormir provocam uma espécie de bagunça nos sistemas. No momento, temos trabalhado técnicas osteopáticas que ajudam os pacientes a relaxarem, e sempre vemos que, com a melhora da qualidade do sono, as dores começam a desaparecer. Assim como mostrado no estudo, esses resultados mostram como a qualidade do sono é fundamental para a saúde.”

Carlos Magno, fisioterapeuta e osteopata da clínica Ibphysical, em Brasília

Aplicação preventiva 
Após uma noite de sono comprometida, se a pessoa está em forma e com boa saúde, o corpo dela é capaz de se adaptar e desenvolver uma estratégia para manter o equilíbrio. No caso de idosos, o corpo nem sempre responde da melhor forma. “Essa capacidade é reduzida com o envelhecimento ou quando há outras condições concomitantes”, explica Leandro Pecchia, pesquisador da Escola de Engenharia da Universidade de Warwick.


Pessoas internadas também estão entre as mais vulneráveis. Por isso, o cientista britânico acredita que os resultados da pesquisa que liderou podem contribuir para a prevenção a quedas hospitalares. “Pacientes idosos hospitalizados encontram-se em uma condição frágil, dormindo em um ambiente desconhecido, com luz noturna incomum, ruídos de outros pacientes e enfermeiros e, talvez, recebendo mais de uma droga. Acordar para ir ao banheiro pode ser mais desafiador do que podemos imaginar”, destaca. “Um dos problemas na prevenção de quedas é que sabemos que um sujeito frágil vai cair, mas é muito difícil prever quando. Esse é o primeiro passo para encontrar uma solução.”


Priscilla Mussi, geriatra e coordenadora de Geriatria do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, acredita que a pesquisa britânica mostra, de forma mais detalhada, pontos que são vistos com frequência na área. “É frequente ver que os pacientes que dormem mal caem mais. Muitos deles relatam um desequilíbrio. Quando isso ocorre, já perguntamos sobre a qualidade de sono da pessoa”, diz.


A médica conta que é recomendado que sejam prescritos a idosos antidepressivos que não interfiram no sono. Há também uma prevenção quanto a complicações neurodegenerativas. “Sabemos também que um sono de qualidade pode reduzir as chances de demência. Por isso, a preocupação com as noites maldormidas na terceira idade tem sido maior”, reforça Mussi. 


"Um dos problemas na prevenção de quedas é que sabemos que um sujeito frágil vai cair, mas é muito difícil prever quando. Esse é o primeiro passo para encontrar uma solução”


Leandro Pecchia, pesquisador da Escola de Engenharia da Universidade de Warwick e líder do estudo 

domingo, 23 de março de 2014

Curiosidades...


E se não houvesse decomposição?
Do cheiro ruim de animais mortos à gasolina do seu carro, muita coisa não existiria. Mas a principal mudança é na alimentação. Comeríamos como astronautas 
Raphael Soeiro

Só lembramos dela quando esquecemos uma maçã no fundo da geladeira. Mas a decomposição é um processo essencial do ciclo da vida. "Graças a ela, a matéria orgânica, aquela que forma os seres vivos, é degradada e retorna à natureza, tornando-se disponível para que outros organismos a utilizem novamente", explica a bióloga da USP Ana Maria Gouw. A decomposição é um processo complexo em que, basicamente, matéria orgânica se transforma em minerais. É por meio dela que é possível reciclar a vida no planeta. Sem esse processo, ela seria linear. Por exemplo, uma floresta usaria os nutrientes do solo para se desenvolver. Mas as árvores morreriam e, como não sofreriam decomposição, o solo não seria enriquecido por seus nutrientes e ficaria pobre para alimentar uma nova geração de árvores e outras formas de vida. "A vida na Terra existe porque há um fluxo de energia e nutrientes entre os seres vivos", diz Gouw. "Se não houvesse a decomposição, os nutrientes ficariam retidos nos cadáveres e nenhuma nova vida poderia ser produzida". O único jeito de a vida continuar seria fazer essa reciclagem de nutrientes em laboratório. Uma maneira um tanto mais elaborada do que já ocorre com os astronautas, que bebem a própria urina reciclada. Nada apetitoso. Por falar nisso, as refeições não seriam lá muito agradáveis. E a geladeira seria só um frigobar.

Se é podre, é bom
Por que a decomposição é tão necessária para a abundância de vida no planeta. E na mesa

PALEONTÓLOGOS FELIZES

O trabalho deles seria facilitado. Afinal de contas, os restos de dinossauros e homens do passado não seriam restos, mas corpos intactos. Seria possível reconstruir a história com mais precisão e rapidez. Mesmo assim, não seria tão fácil encontrar animais, pois é provável que desde a Antiguidade o homem queimasse toda matéria morta. Questão de espaço.

MINIGELADEIRA
Ela seria um eletrodoméstico excêntrico, que poucos teriam, tipo uma máquina de sorvete. Porque é justamente para isso que ela serviria: preservar o sorvete, gelar bebidas etc. Teríamos despensas maiores, pois elas guardariam toda nossa comida. E os alimentos, mesmo sem apodrecer, ainda teriam, muitas vezes, embalagem. Afinal, a contaminação e a sujeira ainda existiriam no planeta.

BUFFET DE CÁPSULAS
Não haveria uma cadeia alimentar natural, com plantas que se alimentam de nutrientes do solo e animais que comem essas plantas etc. Precisaríamos retirar em laboratório os nutrientes da matéria orgânica morta. E dá para tirar bastante coisa, apesar de não parecer apetitoso. Só do sangue, por exemplo, poderíamos retirar açúcares, ferro e sódio, entre outros.

CREMA, CREMADOR

Queimar pessoas mortas não é tão bem aceito em algumas culturas. Estima-se que 107 bilhões de pessoas já passaram pela Terra desde o surgimento do Homo sapiens. Se todos esses corpos estivessem por aí, eles ocupariam, lado a lado, uma área quase do tamanho do Uruguai. Não dá. Gigantescos cemitérios subterrâneos seriam necessários - e a cremação seria mais popular.

ANGRA 9
Não haveria combustível fóssil, que é formado pela decomposição orgânica. Tchau, gasolina. E, com o planeta mais pobre em nutrientes, não ocuparíamos espaço para produzir etanol, que é feito de cana ou milho. Então, exploraríamos mais o urânio, que hoje já abastece submarinos. Como o Brasil tem a sétima maior reserva do mundo, a energia nuclear seria algo comum aqui.

BORAT ÁRABE

Esqueça Dubai e outros lugares ricos que lucram com o petróleo. Sem ele, seriam regiões desérticas como outras quaisquer. Quem assumiria o posto provavelmente seria o Cazaquistão, maior produtor de urânio do mundo. Ele seria um país muito mais notório e conhecido. E o ator Sacha Baron Cohen escolheria outra terra natal, mais excêntrica e pouco famosa, para seu personagem Borat. Tipo Dubai.

Fontes Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel); Ana Maria Gouw, bióloga e educadora da USP; Population Reference Bureau
Revista Superinteressante

Notícias Ciência Fácil



Máquina faz pão durar dois meses
Novo forno de microondas destrói os fungos naturalmente presentes no pão e faz com que ele não se decomponha 
 Salvador Nogueira e Bruno Garattoni

O aparelho, que foi criado pela Universidade do Texas e poderia ser usado em padarias, é um forno de microondas que destrói os fungos naturalmente presentes no pão - fazendo com que ele não se decomponha e dure até 60 dias. O objetivo é coibir o desperdício (os EUA jogam fora cerca de 40% da comida que compram).
Revista Superinteressante

Efeito do cigarro dura 3 gerações


Pesquisa aponta que a nicotina pode desligar genes necessários para a formação dos pulmões - e essa mudança é transferida aos descendentes do fumante.
Salvador Nogueira e Bruno Garattoni

O cigarro gera alterações fisiológicas que passam por gerações e podem afetar eventuais descendentes - se uma mulher que fuma tiver filhos ou netos, eles já nascerão com maior risco de desenvolver asma. Essa é a conclusão de um estudo recém-publicado pela Universidade da Califórnia, que fez experiências para medir o efeito da nicotina (princípio ativo do cigarro) em ratos de laboratório. Segundo os pesquisadores, a nicotina tem o poder de desligar genes necessários para a formação correta dos pulmões - e essa mudança é transferida aos descendentes do fumante.
Revista Superinteressante

Zodíaco das doenças

Marcelo Bortoloti, Sérgio Gwercman e Rafael Kenski

Não, a ciência não se rendeu aos horóscopos. Tampouco chegou o tempo em que médicos recorrerão às colunas de jornal para emitir diagnósticos. Mas algumas pesquisas independentes estão mostrando que existe, sim, uma ligação entre o mês do ano em que nascemos e nosso futuro. Ou, pelo menos, nossa saúde. Até o horário pode nos fazer mais sucetíveis a algumas moléstias (veja quadro ao lado). Parece coisa de astrologia, mas é uma questão de sazonalidade: as estações do ano possuem características ambientais que interferem no nosso organismo. E, para um bebê que está nos primeiros meses de formação, essa influência é especialmente delicada.

Diversos estudos, feitos em centros de pesquisa nos Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Alemanha, chegaram a conclusões nessa linha (leia abaixo). Um exemplo: cientistas suspeitam que, no frio do inverno, a falta de raios solares e nutrientes de vegetais típicos de verão à disposição da gestante possa afetar o organismo do bebê. Da mesma forma, a exposição do recém-nascido a alguns vírus sazonais pode enfraquecer seu sistema imunológico para o resto da vida. As associações vão ainda mais longe: acredita-se que a exposição do feto à gripe pode levar ao desenvolvimento de problemas cerebrais como dislexia ou mal de Parkinson – sabe-se que essas doenças são mais recorrentes em pessoas que nasceram no fim da primavera ou início do verão. As ligações ainda não foram completamente esclarecidas, mas a partir das estatísticas cientistas acreditam poder encontrar a origem de algumas doenças com causa ainda desconhecida. “A importância dessas pesquisas é que, em geral, elas apontam a existência de diversos riscos passíveis de afetar o bebê durante a gravidez”, diz Emmanuel Mignot, professor de psiquiatria da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Ou seja, as doenças podem chegar antes mesmo de nascermos.

Horóscopo de hipocondríaco
As previsões para ofuturo da sua saúde


Janeiro

Moléstia típica: Autismo

Causas: Não se sabe. A pesquisa do Centro de Saúde Mental Yehuda Abarbanel, em Israel, levou em conta apenas dados estatísticos. Mas comprovou que dois meses do ano concentram as maiores taxas de nascimento de autistas. No hemisfério sul, eles seriam janeiro e agosto.

Outras doenças do mês: Diabetes, leptospirose e doença de Crohn

Fevereiro

Moléstia típica: Déficit de atenção, que provoca dificuldades nos estudos e relacionamentos

Possíveis causas: Falta de nutrientes escassos no inverno e gestações marcadas por dietas mal reguladas. Atingiriam especialmente os bebês que atravessaram os primeiros meses pós-concepção no frio de junho e julho

Outras doenças do mês: Asma

Março

Moléstia típica: Depressão

Possíveis causas: Carência de calor e raios solares. Estudo da Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, ouviu 40 mil pessoas e concluiu que quem passa os seis primeiros meses de vida no inverno tende a ser mais pessimista. Quase 60% dos nascidos no período que antecede o frio se consideram azarados e são mais propensos à depressão

Outras doenças do mês: Eczema e asma

Abril

Moléstia típica: Doenças de pele

Possíveis causas: Clima seco nos primeiros meses de vida e ressecamento precoce da pele. Os efeitos da baixa umidade do ar nos bebês foi demonstrado por cientistas da Universidade de Kyoto, no Japão, que entrevistaram 33 mil jovens

Outras doenças do mês: Asma, bronquiolite e pneumonia

Maio

Moléstia típica: Bronquiolite e pneumonia

Possiveis causas: O vírus sincicial respiratório, mais incidente no final do outono e princípio do inverno. Ele afeta principalmente os recém-nascidos, que mais tarde podem desenvolver uma série de doenças no pulmão. No Brasil, a incidência do vírus atinge seu pico no mês de maio

Outras doenças do mês: Infecções no pulmão e problemas cardiovasculares

Junho

Moléstia típica: Esquizofrenia

Possíveis causas: A exposição do feto a um vírus sazonal no segundo trimestre da gravidez, quando o cérebro está em formação. O estudo foi feito por cientistas da Dinamarca, que pesquisaram as relações entre estações do ano e desordens comportamentais

Outras doenças do mês: Bronquiolite e pneumonia

Julho

Moléstia típica: Hipersensibilidade alérgica

Possíveis causas: Contato com grãos de poeira ou alguns tipos de pólen nos primeiros três meses de vida. Cientistas da Universidade de Helsinque, na Finlândia, afirmam que crianças com primeira infância na primavera correm risco de desenvolver alergias a certos grãos de pólen nos 20 anos seguintes

Outras doenças do mês: Mal de Alzheimer, epilepsia e esquizofrenia

Agosto

Moléstia típica: Narcolepsia, doença que causa ataques de sono incontroláveis

Possíveis causas: Não se sabe, mas uma pesquisa com mais de 800 portadores de narcolepsia na França, Canadá e Estados Unidos comprovou que o número de sonolentos nascidos às vésperas da primavera é significativamente maior

Outras doenças do mês: Esclerose múltipla, epilepsia, autismo

Setembro

Moléstia típica: Baixa longevidade

Possíveis causas: Não se sabe, mas uma pesquisa do Instituto Max Planck, da Alemanha, comparou mais de 1 milhão de óbitos e constatou que os nascidos na primavera vivem menos e tendem a adoecer mais após os 50 anos

Outras doenças do mês: Leucemia, dislexia, esclerose múltipla

Outubro

Moléstia típica: Esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença que causa atrofiamento dos músculos e pode ser fatal

Possíveis causas: Falta da vitamina D, sintetizada no corpo pela ação do sol. Nos meses de inverno, a menor incidência de raios solares faz diminuir no organismo da gestante esse tipo de vitamina

Outras doenças do mês: Dislexia, mal de Parkinson

Novembro

Moléstia típica: Anorexia

Possíveis causas: Exposição da gestante a um vírus de inverno, especialmente o da gripe. De acordo com um estudo feito pelo Hospital Royal Cornhill, da Escócia, o risco de anorexia em mulheres nascidas nessa época do ano é de 10% a 15% maior

Outras doenças do mês: Diabetes, esclerose múltipla

Dezembro

Moléstia típica: Diabetes

Possíveis causas: Infeções intra-uterinas aumentam a predisposição à doença. A relação foi estabelecida pela alta incidência de diabetes nos casos de síndrome da rubéola congênita. Outra influência é um vírus intestinal que ataca grávidas nessa época. As conclusões são de uma pesquisa da Universidade de Oxford, na Inglaterra Outras doenças do mês: Dislexia, déficit de aprendizagem


Relógio biológico
Doenças quese valem do horáriopara atacar

Manhã - Das 6h às 12h

Moléstia típica: Infarto

Possíveis causas: Aumento natural da pressão arterial, que diminui durante a noite. Outro indutor é o funcionamento pleno do sistema de coagulação sanguínea, que pode bloquear vias coronárias estreitas

Outras doenças: Depressão e dengue

Tarde - Das 12h às 18h

Moléstia típica: Gripe e dificuldades respiratórias

Possíveis causas: A diminuição do hormônio cortisol no sangue deixa mais frágil o sistema imunológico. O corpo também fica mais vulnerável à poluição e ao monóxido de carbono

Outras doenças: Dengue e malária

Noite - Das 18h às 24h

Moléstia típica: Febre

Possíveis causas: O horário tem o pico da variação natural da temperatura humana. No começo da noite, o calor do corpo atinge 37 0 C. Para os que já estão com o organismo aquecido, a febre arde com maior intensidade

Outras doenças: Dor nas costas e irritações na pele

Madrugada - da 0h às 6h

Moléstia típica: Crise de asma

Possíveis causas: A diminuição da concentração de adrenalina e cortisol no sangue e o estreitamento dos brônquios. A mudança, imperceptível para a maioria das pessoas, é suficiente para deflagrar a crise em asmáticos Outras doenças: Ataques na vesícula biliar, diabetes e úlcera 
Revista Superinteressante

sábado, 22 de março de 2014

Notícias Ciência Fácil

Glória em Vênus
Espetáculo luminoso observado em outro planeta pela primeira vez revela propriedades de nuvens

C. Wilson/P. Laven/ESA
Essa imagem simulada mostra como uma glória seria vista em Vênus (esquerda) e na Terra (direita).
 
George Musser e Revista Nature

Se você olhar pela janela de um avião e observar sua sombra nas nuvens, poderá ter a sorte de ver uma ‘glória’: um padrão de círculos concêntricos, parecido com um pequeno arco-íris circular em tons pastel ao redor da sombra. A sonda Venus Express, da Agência Espacial Europeia, obteve a primeira imagem desse fenômeno em outro planeta. A imagem foi captada em 24 de julho de 2011 e publicada esta semana. A Nature explora como as glórias ocorrem, como são diferentes de arco-íris e o que essa descoberta significa.

O que produz uma glória?

Assim como um arco-íris, uma glória é essencialmente uma imagem altamente distorcida do Sol refletida por gotículas de água ou outros aerosois na atmosfera. A maneira como ela se forma, porém, difere em detalhes importantes do efeito de prisma que produz o arco mais vasto de um arco-íris, e sua física é surpreendentemente sutil. Tentativas realizadas por teóricos em óptica para compreender como funcionam as glórias não tiveram sucesso até os anos 80, quando o físico Moysés Nussenzveig, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostrou que sua principal causa é um processo conhecido como “tunelamento de ondas”. Isso acontece quando raios de sol refletidos por uma gotícula não entram de fato nela – como é o caso dos arco-íris – mas simplesmente passam por perto. De qualquer forma, isso altera as ondas eletromagnéticas dentro da gotícula. Essas ondas ficam se movendo ali dentro e acabam tunelando para fora, enviando raios de luz de volta na direção em que vieram. A ressonância no interior da gotícula depende do comprimento de onda, e por isso a luz branca é dividida no espectro de cores.

Quando é possível ver uma glória?

Para ver uma glória é preciso ficar de costas para o Sol, para que os raios refletidos voltem na direção de sua linha de visão. Um bom local de observação, além de uma janela de avião, é um pico montanhoso que fique acima das nuvens ou da neblina. O padrão em forma de alvo envolverá a sombra projetada por sua cabeça – dando-lhe a aparência de um santo da iconografia cristã. De fato, admiradores do fenômeno especulam que todos os halos que vemos ao redor da cabeça de santos e místicos na verdade são reproduções de glórias atmosféricas. Samuel Taylor Coleridge descreveu a aura no poema “Constância a um Objeto Ideal”. Devido ao preciso alinhamento visual necessário, cada pessoa verá a glória ao redor de sua própria cabeça, mas não de outras.

O que cientistas já observaram?

A Venus Express, que orbita o planeta-irmão da Terra desde 2006, observou glórias em abril e em julho de 2011. Quando a sonda estava de costas para o Sol, ela observou diretamente as nuvens de Vênus e identificou o característico padrão de círculos concêntricos, com cerca de 1.200 quilômetros de diâmetro. Wojciech Markiewicz do Instituto Max Planck para a Pesquisa do Sistema Solar em Göttingen, na Alemanha, e seus colaboradores, relatam a descoberta em um artigo que deve ser publicado em Icarus. Ainda que a missão Pioneer dos anos 70 e 80 tenha observado arcos de nuvem [cloudbows], que são um outro tipo de fenômeno, essa é a primeira observação de uma glória extraterrestre completa.

Essa descoberta serve algum propósito maior, ou é só uma coisa bonitinha?

A glória é um indicador sensível das condições nas nuvens de Vênus que, além de serem compostas de ácido sulfúrico e envolverem completamente o planeta, há muito fascinam cientistas planetários. Essas nuvens contribuem para o efeito estufa que torna Vênus tão infernal. Alguma substância nas nuvens é responsável por metade da energia solar absorvida pelo planeta, e dá ao planeta sua cor amarelada. Mas pesquisadores ainda não sabem que substância é essa.

O simples fato de uma glória conseguir se formar sugere que as gotículas de água têm forma esférica e tamanho uniforme. De acordo com a equipe de Markiewicz, a posição dos aneis concêntricos indica que as gotículas têm 1,2 micrômetros de diâmetro, e o brilho relativo de aneis diferentes indica que o índice de refração do fluído da gotícula excede o do ácido sulfúrico. A imagem simulada, à esquerda, mostra como o tamanho reduzido das partículas das nuvens de Vênus (se comparadas aos típicos 10 a 40 micrômetros de nuvens terrestres) faz com que as bordas coloridas fiquem mais distantes do que pareceriam a partir da Terra. Markiewicz e coautores sugerem que as gotículas têm cloreto de ferro no interior ou átomos de enxofre na camada externa. Os dois componentes foram sugeridos em 1980 como candidatos a esse misterioso absorvedor, e ambos são interessantes para a história geral do planeta. O enxofre está ligado ao vulcanismo e ao aquecimento decorrente de efeito estufa; o cloreto de ferro levanta a pergunta: o que teria lançado compostos de ferro a 70 quilômetros de altura?

Este artigo foi reproduzido com permissão da revista Nature. O artigo foi publicado pela primeira vez em 14 de março de 2014.
Revista Scientific American Brasil

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A estréia da roupa enlatada

Aerosol pode se transformar tecido com fibras naturais ou sintéticas sobre a pele

Cortesia de Fabrican, Ltd.

ROUPA ENLATADA: O estilista britânico Manel Torres teve a ideia de criar roupas “spray-on” depois de assistir a um casamento no qual observou pessoas se pulverizando mutuamente com serpentinas de aerossol (silly string, em inglês).


Pippa Wysong

Algum dia, fazer a mala para uma viagem pode ser tão simples como pegar algumas latas de spray de mistura de polímero coloidal para fazer suas próprias roupas “spray-on”. Tanto faz se é uma camiseta ou um traje noturno, o tecido “spray-on” é uma novidade para produzir uma variedade de tecidos leves.

O estilista espanhol Manel Torres teve a ideia depois de assistir a um casamento e observar como as pessoas se pulverizavam mutuamente com o chamado “silly string” (serpentina de aerossol, em português), filamentos de plástico ejetados em forma líquida de uma lata de aerossol. “Pensei se não seria ‘legal’ se houvesse um meio de criar um material que pudesse ser pulverizado para cobrir uma superfície maior e ser usado como roupa”, conta Torres.

Para criar um material assim, ele voltou à escola no Imperial College de Londres, fez um doutorado (PhD) em engenharia química e fundou a Fabrican, Ltd. em parceria com Paul Luckham, professor de engenharia química, também do Imperial.

Pulverizado em uma superfície, o tecido instantâneo forma um material tramado como tecido, explica Torres. A fórmula consiste em fibras curtas interligadas com polímeros e um solvente que produz o “tecido” em forma líquida. O material é pulverizado diretamente sobre a pele nua de uma pessoa, onde seca quase instantaneamente. Ele pode ser facilmente “descascado”, porque os polímeros não se ligam à pele.

Outras variantes aderem a outros tipos de superfícies. “A diferença reside principalmente nas formulações, mas também no método de pulverização”, observa Torres, acrescentando que a equipe experimentou com pistolas pressurizadas, bicos de aerossol, as chamadas “bombas de aerossol” e jatos de sprays para aplicações industriais e personalizadas. Para criar uma forma, como uma saia “boca de sino”, a solução seria pulverizada em uma superfície que já tivesse esse formato desejado.

As características do material, como resistência e textura, dependem do tipo de fibras misturadas na solução. As possibilidades incluem fibras naturais como lã, algodão, seda ou celulose, além de fibras sintéticas como o náilon. O tecido em si é como uma camurça fina e ligeiramente maleável, que pode ser aplicado em várias camadas para torná-lo mais espesso, esclarece Torres. Mas a textura e a sensação tátil diferem de acordo com os tipos de fibras misturadas na solução.

O “tecido” provoca uma sensação fria ao ser pulverizado no corpo, mas adquire a temperatura corporal em poucos segundos. Alguns manequins descrevem a sensação da roupa “spray-on” como sendo uma “segunda pele”; “como estarem vestidos, mas sentindo-se nus”, conta Torres.

Luckham explica que uma camiseta pode ser pulverizada no corpo, tirada por cima da cabeça e recolocada. Quando a pessoa se despe é possível dar asas à criatividade. “Uma camiseta pode ser cortada na frente com uma tesoura, removida como se fosse um colete, vestida de novo e receber outro jato de spray para fechar a abertura novamente”, exemplifica

Depois que a pessoa usou a roupa “spray-on” ela pode ser reciclada. Isso se faz ao picotar ou cortar a peça em pedaços pequenos e dissolvê-los em uma solução. Fragmentos menores dissolvem mais facilmente que os grandes e parecem tecidos solúveis em água, informa Torres. “O agente compressor utilizado para pulverizar o tecido é a mesma substância que o solvente, o que simplifica o processo de reciclagem, porque não é preciso ter outra solução ou solvente à mão” declara Luckham.

A equipe está desenvolvendo um tipo de gesso medicinal leve e impermeável “spray-on” e testando protótipos de próteses em parceria com militares do Reino Unidos que perderam membrosem combate. Acomercialização de um produto final deve acontecer assim que os testes forem concluídos. Bandagens “spray-on” e outras aplicações médicas também estãoem desenvolvimento. Umavantagem do tecido “spray-on” é que ele é estéril quando aplicado, o que o torna atraente para aplicações emergenciais, como curativos em campo de combate, explica Torres.

Uma empresa automotiva está trabalhando com a Fabrican para desenvolver tecidos “spray-on” para o interior de automóveis. O desafio é criar um tecido suficientemente forte e durável para resistir ao desgaste diário do carro da família ou de um veículo comercial.

Em curto prazo, Luckham prevê possibilitar que as pessoas pulverizem pequenas quantidades de tecido sobre superfícies para criar uma toalhita para limpeza do rosto ou uma toalha instantâneas, ou até usar materiais “spray-on” para fazer decorações semelhantes a papel machê.

Link para o video: http://www.youtube.com/watch?v=48Zz0ZbeCEY
 Scientific American Brasil

Varredura experimental não detecta matéria escura

Ausência indícios de matéria escura questiona proposições anteriores

Laboratório Sanford

LEGENDA: PROCURANDO WIMPS: O Grande Detector Subterrâneo de Xenônio (LUX) usa este equipamento para procurar luz emitida por átomos atingidos por uma pequena partícula de matéria escura em um tanque de xenônio líquido.


Clara Moskowitz

A busca mais sensível do mundo pela matéria escura anunciou ontem o que encontrou: nada. De acordo com cientistas, os primeiros resultados do experimento LUX (Grande Detector Subterrâneo de Xenônio, em inglês) foram nulos, indicando que a matéria invisível que se acredita compor uma grande parte do Universo é ainda mais elusiva do que acreditavam muitos especialistas.

Enterrado a cerca de 1,5km de profundidade em uma mina de ouro reformada na Dakota do Sul, que atualmente é a Instalação de Pesquisa Subterrânea Sanford, o experimento LUX procura sinais de partículas de matéria escura colidindo com os átomos em um tanque de xenônio líquido. Durante seus primeiros três meses de operação o detector não encontrou qualquer tipo de sinal. “Nós procuramos muito por essas partículas de matéria escura e não vimos nada”, declara o físico Rick Gaitskell da Brown University, co-porta-voz do LUX.

Os resultados, apresentados ontem (30/10) em um seminário e enviados para publicação à Physical Review Letters, eliminam várias massas e características possíveis para as partículas que compõem a matéria escura. O resultado nulo também conflita com experimentos anteriores que relataram possíveis sinais de matéria escura.

Cerca de um quarto do Universo parece ser composto de matéria escura, que faz sua presença ser sentida através da gravidade, apesar de não poder ser vista ou tocada. Uma das principais explicações da matéria escura postula que ela é composta de partículas chamadas de WIMPs (Partículas Massivas de Interação Fraca, em inglês). Se existirem, um bilhão dessas WIMPs provavelmente atravessam seu corpo a cada segundo sem que seus átomos percebam. A reticência dessas partículas em interagir com a matéria conhecida apresenta um desafio a físicos que pretendem detectar a matéria escura. Hipóteses sugerem, porém, que em situações muito raras WIMPs devam se chocar com átomos convencionais em vez de passarem pelo espaço entre eles.

Pesquisadores do LUX esperam captar esses impactos escassos ao medir partículas de luz (fótons) emitidas por um átomo de xenônio que for atingido por matéria escura. Para reduzir as chances de qualquer outra coisa fazer o xenônio emitir luz – como partículas espaciais carregadas, chamadas de raios cósmicos – o detector fica altamente protegido e enterrado no fundo da mina. Em termos de radioatividade de fundo, raios cósmicos e outros contaminantes, o centro do tanque do LUX, com 370kg de xenônio, é o “lugar mais silencioso do mundo”, explica Gaitskell.

O experimento é duas vezes mais sensível a partículas hipotéticas de matéria escura com grandes massas que outros detectores, e é ainda melhor se as partículas de matéria escura forem relativamente leves, observam os cientistas. O fato de o LUX ainda não ter registrado nenhum impacto desse tipo indica que as partículas no espectro de massa a que ele é sensível – entre cinco e 10 mil vezes a massa de um próton (uma unidade chamada de giga-elétron volt) – interagem de maneira extremamente rara com a matéria comum.

Os novos resultados do LUX também lançam dúvidas sobre alegações anteriores de possível detecção de matéria escura. O projeto italiano Dama (que significa DArk MAtter, ou matéria escura) alegou ter observado sinais de WIMPs há mais de uma década, e mais recentemente o CDMS (Busca Criogênica por Matéria Escura, em inglês) e o experimento CoGeNT (Tecnologia Coerente de Neutrinos baseada em Germânio, em tradução aproximada), ambos em Minnesota, observaram alguns eventos que podem ser atribuíveis à matéria escura. “Infelizmente não vejo essas alegações sobrevivendo aos novos resultados”, lamenta Gaitskell.

As outras equipes, porém, não estão prontas para reconhecer a derrota. Juan Collar da University of Chicago, que dirige o projeto CoGeNT, declara acreditar que a equipe do LUX não levou adequadamente em conta efeitos de campo elétrico e que, portanto, podem ter subestimado a sensibilidade do detector de xenônio para WIMPs de pouca massa.

Blas Cabrera da Stanford University, que dirige o projeto CDMS, também sustenta que o que seu projeto observou ainda pode ser matéria escura. “É improvável que o LUX tenha descartado toda a região de interesse” para WIMPs de pouca massa, porque o xenônio não é tão sensível quanto outros materiais à matéria escura nesse espectro de massa, aponta ele. (O CDMS usa detectores de silício e de germânio). “Apesar dessas críticas amigávels, estamos todos empolgados pelo sucesso de um novo experimento de busca de WIMPs que foi cuidadosamente construído”, elogia Cabrera. “Nós também continuamos a acreditar que, dada a dificuldade de todos os experimentos e a incerteza das propriedades das partículas de matéria escura, é muito importante usar vários materiais e tecnologias diferentes de detecção”.

A competição é acirrada para descobrir qual será o primeiro experimento a encontrar matéria escura, mas os pesquisadores declaram se importar mais com respostas do que com fama. “Nessa ponto da minha carreira, eu não estou preocupado em saber qual experimento descobrirá partículas de matéria escura, quero saber muito mais durante meu tempo de vida”, observa Cabrera.

O LUX é o experimento mais recente em uma série de buscas que estão em andamento há mais de três décadas, e nenhuma delas encontrou evidências conclusivas de matéria escura. Mas os cientistas não estão desencorajados. “Não posso dizer que estou decepcionado”, declara Daniel McKinsey, um porta-voz da Yale University. “Nós estamos muito felizes que o instrumento esteja funcionando tão bem”. O LUX continua a coletar dados, e os pesquisadores já estão planejando um detector de xenônio ainda maior, chamado de LUX-ZEPLIN. “Com sorte, da próxima vez estaremos anunciando um resultado positivo”, conclui Gaitskell. “Isso, como dizem, deixaremos com os deuses”.
Scientific American Brasil